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Hospital St. Louis é a primeira instituição de saúde em Portugal a adotar a blockchain

Carlos Faria, Jose Varatojo e Jose Figueiredo (da startup portuguesa Blockbird Ventures), com Clara Pinto e Bernardo Teixeira (do hospital de St. Louis), na assinatura do acordo para desenvolvimento de uma plataforma de gestão de privacidade de dados pessoais assente na tecnologia blockchain

D.R.

Startup portuguesa Blockbird Ventures desenvolveu plataforma de gestão de privacidade de dados pessoais, que recorre à tecnologia na base das criptomoedas e de outras aplicações, para o hospital St. Louis, em Lisboa. Solução deverá estar operacional em abril

O Hospital St. Louis, em Lisboa, está quase a tornar-se a primeira entidade do sector da saúde em Portugal a ter uma solução assente na tecnologia blockchain e exclusivamente dedicada à privacidade de dados.

O acordo para desenvolvimento da plataforma de gestão de privacidade de dados pessoais foi assinado esta sexta-feira pelo hospital, que pertence à Societé Française de Bienfaisance, e pela Blockbird Ventures, startup portuguesa que criou a solução e entra assim neste mercado.

A plataforma, já desenvolvida, precisa ainda de ser integrada com as aplicações utilizadas pelo hospital, um processo que a startup estima que irá demorar três meses.O St. Louis deverá, assim, começar a utilizá-la em abril.

Esta “é uma solução inteligente para assegurar a privacidade de dados digitais, que integra com as principais aplicações que utilizamos atualmente”, explica em comunicado Bernardo Teixeira, responsável pelo departamento informático do St. Louis. “Além disso, o uso da tecnologia blockchain permite garantir a veracidade e imutabilidade da informação perante os nossos pacientes e perante o regulador.”

A solução da Blockbird Ventures - que surgiu a partir de um artigo científico do professor do Instituto Superior Técnico Miguel Pupo Correia, transformado num protótipo e numa ideia de negócio que venceu um dos desafios da Aliança Portuguesa de Blockchain - foi desenhada de forma a respeitar as regras do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) da União Europeia (UE).

“Demonstra que, por um lado, estamos altamente sensibilizados para o tema da privacidade dos nossos pacientes e que, por outro, compreendemos a crescente importância da tecnologia na saúde”, acredita a diretora geral do hospital, Clara Pinto.

Já a Blockbird Ventures entra assim neste mercado, estando igualmente em conversações com outras empresas fora do sector da saúde. “Temos uma plataforma de gestão de privacidade de dados, por isso qualquer empresa que lide com dados pessoais é um potencial cliente”, sublinha José Figueiredo, cofundador da startup portuguesa que está também a olhar para o mercado internacional.

“Tal como a Europa, os Estados Unidos passaram uma lei semelhante ao RGPD (California Privacy Act), no Brasil entrará em vigor o RGPD Tropical em 2020. Acreditamos que o mercado de privacidade vai crescer significativamente nos próximos anos.”

A blockchain é uma tecnologia inovadora - normalmente associada às criptomoedas - que permite registar, de forma transparente e descentralizada, listas de transações. Estas são armazenadas e validadas de forma segura, distribuída, transparente e autonomizada, sem os dados serem guardados num servidor ou validados por uma única entidade. Pelo contrário, são armazenados e validados por uma rede distribuída de computadores que resolvem problemas matemáticos complexos.

Esta é uma tecnologia que faz sentido especialmente em situações em que é necessário conhecer e rastrear um registo de propriedade de um ativo. Saúde, pagamentos, retalho e cadeia de distribuição são alguns dos setores que podem beneficiar desta tecnologia.