Siga-nos

Perfil

Expresso

Internacional

Corpos de embarcação à deriva em Cabo Verde eram de pescadores senegaleses

Embarcação foi rebocada pelas autoridades que confirmaram que no seu interior se encontravam quatro cadáveres de homens

Os quatro homens encontrados mortos quarta-feira numa embarcação à deriva nos arredores do Tarrafal de Santiago, Cabo Verde, pertenciam a um grupo de sete pescadores senegaleses que em dezembro saíram do seu país para pescar nas águas da Mauritânia. De acordo com um comunicado da Polícia Judiciária (PJ) de Cabo Verde, a embarcação - de nome e matrícula "2018/Serigme Fallou Mbacke -- 37672", foi encontrada num "lugar de mar revolto, acessível apenas a barcos de médio e grande porte".

A embarcação foi rebocada pelas autoridades e confirmaram que no seu interior se encontravam quatro cadáveres de homens. "A embarcação continha depósitos, que se presumem ser de água, mas não tinha vestígios de comidas, nem mecanismo de suporte de remo e nem tão pouco motor, apesar de dispor de suporte para motor", lê-se na nota da PJ. Os corpos foram removidos para a casa mortuária do Hospital Agostinho Neto, na cidade da Praia, onde as autópsias revelaram que um dos indivíduos teria morrido na terça-feira e que "as causas das mortes foram fome e desidratação".

Através de diligências desencadeadas junto da embaixada do Senegal na Praia, a PJ soube de "um grupo de sete pescadores que teria saído da cidade de San Louis, no norte do Senegal, no passado dia 9 de dezembro de 2018, para pescar na zona da Mauritânia, sendo a data prevista para o regresso o dia 14 do mesmo mês".

"No dia 18 de dezembro, não tendo a embarcação regressado, as autoridades senegalesas deram-na por desaparecida, iniciando, imediatamente, as buscas entre as zonas do Senegal e da Mauritânia", prossegue a nota da PJ.
Para facilitar a identificação das vítimas, a embaixada do Senegal na Praia facultou à PJ as identidades e as fotografias dos sete desaparecidos.

Perante estes dados, a PJ concluiu que "não se está perante um caso de imigração ilegal, mas sim de uma fatalidade, uma vez que o barco, supostamente, terá perdido o rumo e vindo parar a Cabo Verde".