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A aula de ciência política de Cristas

Assunção Cristas esteve reunida com Pedro Santana Lopes

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Na convenção da direita em que o grande ausente foi Rui Rio, Cristas deu uma espécie de aula sobre a ideologia do CDS e aproveitou para lançar farpas a PSD e PS. Democratas-cristãos põem-se totalmente fora de soluções de bloco central

Quem entrasse na sala da Culturgest onde decorreu, na manhã desta sexta-feira, o encerramento da convenção Europa e Liberdade sem saber ao que ia poderia pensar que acabara de interromper uma aula de Ciência Política. A professora era Assunção Cristas, que, vinda direta de um debate quinzenal no Parlamento, fez uma intervenção dedicada a esmiuçar a ideologia e a identidade do CDS – e, com isso, a atirar farpas aos vizinhos da esquerda, apresentando-se como a única alternativa a António Costa.

Lembrando que desde o início rejeita soluções políticas de esquerda e, muito particularmente, todas as que envolvam o atual primeiro-ministro, Cristas dedicou-se a explicar como se define o CDS e o espaço que pretende ocupar no espaço político, hoje que se vê como um partido menos de nicho e mais habilitado a ser uma alternativa de Governo: um partido não apenas de direita, mas de “centro e direita” onde diz haver uma “margem larga” para sensibilidades diferentes. Defensor da livre iniciativa e da liberdade de cada um “acima de qualquer Estado”, mas contra o “liberalismo desenfreado”. E bem longe de “extremismos” ou populismos.

Poderia perguntar-se o que significa, então, ser de um CDS que se diz moderado e também no espaço centro, sendo que este é o partido mais à direita com assento parlamentar. Cristas percebeu a aparente contradição e aproveitou o seu regresso à pele de professora para explicar a maior diferença, “claríssima”, que a distingue e faz do CDS um verdadeiro partido de direita: ao contrário do que a esquerda defende, os democratas-cristãos acreditam que “o Estado deve ser um garante em áreas essenciais, mas não ser o único e exclusivo a prestar serviços” como a Saúde ou a Educação, sublinhou.

A estratégia eleitoral do CDS é conhecida e Cristas fez questão de a reafirmar: acredita que é possível construir “uma verdadeira alternativa” que não passa pela esquerda nem pelo PS de António Costa, somando os deputados que os partidos interessados numa plataforma alternativa de centro-direita consigam obter. Acontece que Cristas acredita que só o CDS está verdadeiramente comprometido com a recusa em dar a mão ao PS. E, no seu discurso, lançou farpas: “Se o PSD resolver entender-se com António Costa, há um bloco central. Onde nós queremos estar é no centro-direita – não é no bloco central, não é à esquerda”. Caso Costa seja reeleito e consiga formar Governo, Cristas promete manter-se na oposição.

No dia de encerramento desta convenção, o programa Expresso da Meia-Noite, na Sic Notícias, vai debruçar-se sobre o tema “A Crise nas Direitas”. Integram o painel de convidados Pedro Santana Lopes, líder do Partido Aliança, Miguel Morgado, deputado PSD, Sofia Afonso Ferreira, fundadora do Democracia21 e Nuno Melo, eurodeputado do CDS.