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Portugueses sem medo da maioria absoluta do PS

Inquiridos aprovam proposta de Rui Rio para haver uma maioria de membros escolhidos pelo poder político no Conselho Superior do Ministério Público. E não mostram que estejam assustados com a possibilidade de António Costa ter uma maioria absoluta

Vítor Matos

Vítor Matos

Editor de política

A proposta polémica do PSD para a reforma da justiça, no sentido de o Conselho Superior do Ministério Público ter uma maioria de membros escolhida pelo poder político, tem acolhimento entre os inquiridos do estudo da Eurosondagem para o Expresso e para a SIC: 42,9% das respostas aceitam a ideia de Rui Rio. No entanto, a opinião pública mostra-se dividida, uma vez que as vozes discordantes representam uma percentagem próxima dos que dizem "sim": 40,4% dos inquiridos são contra a proposta social-democrata.

Os 16,7% de participantes no estudo que não sabem ou não respondem à pergunta - concorda que o Conselho Superior do MP, que fiscaliza os procuradores, tenha mais membros escolhidos pelo poder político do que magistrados como defende Rui Rio? - pode revelar que é um tema difícil para muitos portugueses.

A questão foi tão polémica no setor da justiça, que o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público ameaçou convocar uma greve caso a medida fosse por diante no âmbito das negociações partidárias para alterar o Estatuto do Ministério Público. A própria procuradora-geral da República, Lucília Gago, deu a entender que se demitiria do cargo para que tinha acabado de ser nomeada. E a ministra da Justiça, Francisca van Dunem - também ela magistrada do Ministério Público - esvaziou o balão ao dizer que essa alteração não estava em causa nem iria para a frente.

Governo só do PS não assusta

A possibilidade de o PS ter maioria absoluta pode estar a perder gás no barómetro da Eurosondagem, mas os inquiridos no estudo para o Expresso e SIC não têm alergia a uma possível maioria absoluta de António Costa: 26,8% até acham que seria bom para o país, enquanto 30,9% entendem que seria indiferente.

Mesmo num mês em que o PS perde 1,8 p.p. nas intenções de voto - de 41,8% para 40% - os inquiridos não mostram demasiados anticorpos em relação à existência de um Governo só de uma cor por parte do PS: somando as duas partes que não rejeitam este cenário, isso significa uma maioria absoluta de 57,7% de inquiridos que não se assusta com um Executivo socialista.

Só 30,7% entendem ser negativo que António Costa governe sozinho. Ou seja, embora um terço do eleitorado não queira ouvir falar deste cenário, pode perder tração na opinião pública o discurso do Bloco de Esquerda e do PCP, que apostam em alertar para os perigos de uma maioria absoluta do PS, sem a influência determinante da esquerda.