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Santana desafia direita a juntar-se numa coligação pós-eleitoral para “afastar esquerda”

MÁRIO CRUZ/LUSA

Fundador da Aliança sabe que é “difícil” fazer com que a direita se entenda, mas quer nova versão da 'geringonça'. Aposta é afastar-se do socialismo e dar prioridade ao crescimento económico e ao investimento

O desafio ficou guardado para o fim. Pedro Santana Lopes discursou na manhã desta sexta-feira, segundo dia da convenção Europa e Liberdade, na Culturgest, em Lisboa, e fez uma espécie de apresentação ao público da Aliança, definindo algumas das prioridades e valores do seu partido recém-formado. Mas foi preciso chegar ao final da intervenção para ouvir Santana a definir no concreto a posição estratégica que o partido leva para as próximas eleições – e que passam por unir forças contra a “frente de esquerda” atualmente no poder.

Garantindo que a solução para o país “voltar ao normal” passa por construir “uma grande aliança”, Santana defendeu que essa coligação deve ser formada depois das legislativas, tendo por base os resultados que cada partido obtiver. E quais serão as forças com que conta para este “movimento” que quer devolver o poder ao centro-direita? Basicamente, todos os que não apoiem a atual solução de esquerda, sejam eles “tradicionais” ou apenas movimentos que prometem constituir-se como partidos antes das eleições. E que partilhem valores como a prioridade dada à “dignidade da pessoa humana”, a um “Estado forte”, à iniciativa privada, ao aumento da natalidade ou à descentralização do Estado.

Santana admite que parece “muito difícil” esse alinhamento de forças dos partidos que não querem ver a esquerda no poder – presumivelmente tendo em conta a atual posição do PSD, com Rui Rio mais próxima do PS – para formar um “Governo patriótico que inicie um novo ciclo”. Será com estes pressupostos que a Aliança se candidatará já às três eleições deste ano (regionais da Madeira, europeias e legislativas), sendo que a nível nacional Santana admite que gostaria de ver já estabelecido um novo sistema eleitoral que inclua círculos uninominais.

Precisamente naquela que é uma das primeiras declarações em tempo eleitoral, Santana aproveitou para enumerar as prioridades e bandeiras da Aliança. Definindo o partido que criou depois da ruptura com o PSD como uma força política que se “orgulha da História de Portugal”, disse estar agora preocupado com os efeitos da governação à esquerda para o momento atual do país: “Devemos ser tolerantes mas não permissivos com aqueles que não têm o direito de impor a sua agenda a toda a comunidade graças a maiorias circunstanciais”.

O “socialismo de pacotilha” que governa o país, defendeu Santana, leva a promessas ocas que põem em causa o crescimento de Portugal – e deu exemplos atuais, como a defesa feita pelo ministro do Ensino Superior (e por Marcelo Rebelo de Sousa) do fim das propinas, dos manuais gratuitos para todos, da redução dos preços dos passes sociais. Medidas como essas, argumentou o ex-PSD, arriscam os progressos conseguidos na economia graças ao “enorme esforço” feito pelos portugueses durante a crise. Também graças a “preconceitos vertidos na Constituição” como o da definição da saúde como um serviço tendencialmente gratuito, “dão ilusão” de que “o que recebemos do Estado” não tem custos. “Uma mistura de irresponsabilidade e insensibilidade, aquilo que nunca deve acontecer na gestão pública”, resumiu.

A mensagem de Santana teve em grande parte a ver com a necessidade de se mobilizar o país para o crescimento económico, “o grande desígnio nacional”, “criando um clima extremamente propício ao investimento”. Assim se distinguiu da esquerda, chamando para consensos todos os partidos que não se encontram nesse espaço do espetro político português. Resta saber a disposição que as restantes forças terão para alinhar com Santana – Assunção Cristas, líder do CDS, tem dito e repetido que também acredita que a direita deve trabalhar para conseguir no seu conjunto uma maioria de deputados, afastando António Costa do poder.