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Sondagem: Aliança com 4%, PSD em mínimos históricos e PS em queda

Boas notícias para Santana e más para Rio: este resultado daria para a Aliança eleger um eurodeputado, mas Rio teria o pior resultado de sempre do PSD. António Costa afasta-se da maioria absoluta.

Vítor Matos

Vítor Matos

Editor de política

O resultado mais baixo de Rui Rio desde que está na liderança do PSD aparece no pior momento: quando o líder está debaixo de fogo dos críticos e com a liderança a ser desafiada por Luís Montenegro, o partido cai dois pontos percentuais para os 24,8% nas intenções de voto no estudo da Eurosondagem para o Expresso e para a SIC. A verificar-se, este resultado seria o pior dos sociais-democratas numas eleições legislativas desde que Sá Carneiro teve 24,3% em 1976 - mas, nessa época, o CDS tinha 16%. Um dos argumentos de Montenegro para se apresentar contra Rio foi exatamente este: o horizonte de uma “derrota histórica”.

Há um ano, quando foi eleito líder do PSD, Rui Rio entrava em funções com intenções de voto na casa dos 26,9% no barómetro da Eurosondagem, as mais baixas em relação ao último ano de Passos Coelho — o que se compreendia por o PSD ter estado em disputa e sem chefia durante pelo menos três meses. Mas essa tendência acabaria por se inverter com o efeito da novidade.

Rui Rio havia de recuperar, em março de 2018, para intenções de 28,4%, mas a partir daí foi sempre a descer. Aos poucos, ao longo de oito meses, o partido perdeu 3,6 pontos percentuais (p.p.) e neste momento está a 15,2 p.p do PS. Os socialistas também registam uma quebra quase da mesma dimensão dos sociais-democratas, no entanto, esta é a maior diferença entre os dois maiores partidos nos últimos meses.

Aliança com 4% dá para eleger eurodeputado

O resultado conseguido na primeira sondagem em que é contabilizada a Aliança de Pedro Santana Lopes, dá ao ex-social-democrata razões para estar satisfeito. Mesmo sem ter entrado em campanha — a ação mais recente foi uma mensagem de Natal divulgada nas redes sociais — Santana consegue 4% das preferências dos inquiridos. Segundo Rui Oliveira e Costa, da Eurosondagem, se mantiver estes valores nas europeias de maio, a Aliança consegue eleger o cabeça de lista, Paulo Sande, para o Parlamento Europeu.

Este resultado está em linha com o estudo da Eurosondagem de julho do ano passado, em que 5% dos inquiridos admitiam votar num partido fundado por Santana Lopes. “Se fosse por aí já chegava”, disse o líder da Aliança ao Expresso no verão de 2018, na semana em que saiu essa sondagem, antes de fundar o partido. “Basta isso para qualquer novo governo na minha área ter de contar com essa força política, se ela existir.” Agora já existe. E 4% já permitem um pequeno grupo parlamentar. Resta saber se em campanha Santana vai passar deste patamar.

CDS mantém, PS cai

Quem resiste é Assunção Cristas. Enquanto o PSD parece sofrer o embate direto da formação do novo partido fruto da cisão santanista, o CDS nem sequer é afetado. Os centristas mantêm as intenções de voto na casa dos 7% que, embora sejam baixas para as pretensões de Assunção Cristas, significa que o seu eleitorado potencial não se deixou seduzir, para já, pelo canto de Pedro Santana Lopes.

Já António Costa até poderia ter razões para sorrir com a queda do PSD, mas o PS regista uma quebra de 1,8 p.p. nas intenções de voto. Apesar de estar em modo de campanha eleitoral permanente desde que foi aprovado o Orçamento do Estado — logo no fim de semana seguinte o PS foi para a rua em todo o país —, a estratégia não parece estar a surtir efeito. Mesmo com um orçamento favorável para muitas famílias e funcionários públicos (com medidas como a redução do preço nos passes sociais), anúncios de obras públicas e até a intenção de acabar com as propinas nos próximos 10 anos, o PS não ganha força na primeira sondagem do ano eleitoral.

O primeiro-ministro continua, apesar da quebra nas intenções de voto, com uma taxa de aprovação alta, de 49,5% e com um saldo que só é ultrapassado por Marcelo Rebelo de Sousa. O Presidente da República, apesar da presença mediática permanente, não regista qualquer desgaste: a queda de 0,3 p.p. em relação à última sondagem não mostra que seja uma tendência relevante.

A esquerda é que não mexe. Nem Bloco de Esquerda nem PCP registam variações de monta: para já, não capitalizam com os ganhos no orçamento, nem com a contestação social, nem com a possibilidade de o PS ter uma maioria absoluta, o que também não parece assustar o eleitorado

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