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Ordem dos Psicólogos vai analisar reportagem da TVI “Terapias de conversão de homossexualidade”

Ordem volta a condenar a tese defendida pela psicóloga cristã Maria José Vilaça de que a homossexualidade corresponde a uma forma de perturbação mental. E alerta que a divulgação de imagens não autorizadas pela TVI indiciam crimes previstos na lei

A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) anunciou esta sexta-feira que vai analisar o conteúdo da reportagem da TVI “Terapias de conversão de homossexualidade”, que mostrou o trabalho de Maria José Vilaça, presidente da Associação dos Psicólogos Católicos, na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, no Lumiar.

Em comunicado, a OPP diz que participou os factos em causa ao Conselho Jurisdicional (CJ) da Ordem, a quem cabe a competência de analisar o teor e as opiniões expressas na reportagem emitida na quinta-feira à noite na estação de Queluz.

A OPP manifesta-se ainda preocupada com o facto de a reportagem televisiva ter divulgado imagens não autorizadas, alertando que indiciam um crime de “Gravações e fotografias ilícitas” e do “Direito à Imagem” , previsto no Código Penal e Código Civil.

À semelhança do que a Ordem já defendeu em ocasiões anteriores, este organismo volta a condenar a tese defendida por Maria José Vilaça de que a homossexualidade corresponde a uma forma de perturbação mental.

Segundo a OPP, que realça o amplo consenso entre investigadores e profissionais e a posição das principais organizações profissionais de Saúde e de Psicologia internacionais, “a homossexualidade não é uma perturbação mental nem implica qualquer tipo de incapacidade, sendo uma variante da sexualidade humana, não podendo ser, desta forma, associada a qualquer forma de psicopatologia.”

“O preconceito, a violência e o estigma social sobre a homossexualidade”, sublinha a OPP, é que poderão causar “sofrimento psicológico”.

De acordo com os princípios do Código Deontológico da profissão, “os psicólogos devem reflectir sobre os limites da sua prática quando trabalham com clientes com identidades de género ou orientações sexuais minoritárias, assim como a considerar a necessidade de formação específica e o encaminhamento para outros profissionais sempre que necessário”, conclui.

Esta não é a primeira vez que a Ordem dos Psicólogos se pronuncia sobre declarações de Maria José Vilaça. Em 2016, a OPP condenou a opinião manifestada por esta psicóloga na revista “Família Cristã”, quando disse que ter um filho homossexual era “como ter um filho toxicodependente.”

Na altura, a Ordem insistiu na necessidade de os profissionais do sector zelarem pelo rigor, pela independência e pela defesa dos Direitos Humanos, tendo consciência “das consequências do seu trabalho” e da “credibilidade que devem ter junto da ciência que representam”.